Em 2018, o professor de pós-graduação de marketing digital do Insper, Renato Mendes, lançou o livro ’Mude ou Morra”, publicação que acabou se tornando um best-seller entre empresários, gestores e empreendedores. Motivos não faltaram para o êxito editorial. Especialista em temas como startups, marketing, e-commerce e empreendedorismo há mais de 19 anos, Mendes tratou no seu trabalho, com muita antecedência, de assuntos que hoje estão em voga, como transformação digital, a nova relação das empresas com seus clientes e o impacto da tecnologia no mercado de trabalho. A Varejo S.A aproveitou a proximidade da Black Friday para ouvir do especialista sobre suas expectativas para uma das datas mais importantes do calendário varejista. Para Mendes, o comércio digital vai substituir as aglomerações nas lojas e o movimento de compra deve acompanhar o que já vem ocorrendo em outros anos, com o consumidor aproveitando os descontos de Black Friday para comprar os presentes de Natal. Confira a entrevista!

– Qual a expectativa para a BF 2020?
Tivemos grandes mudanças em 2020, que também impactam o comércio e por isso a Black Friday este ano será muito diferente de tudo aquilo que a gente já viu em todo o varejo. No Brasil ainda temos um comércio muito concentrado no modelo tradicional, a Black Friday é sinônimo de aglomeração, pessoas fazendo filas para comprar os produtos com desconto, isso não vai acontecer. Com as lojas fechadas, ou com pouco movimento por conta das medidas de segurança sanitárias, boa parte do consumo dessa data deve migrar para o online. Mas, mesmo assim, eu não tenho uma visão muito otimista para a data porque ainda vejo os consumidores receosos, com medo da crise, por isso, até no varejo online acredito que as vendas devem ser bem menores do que nos últimos anos.

– O que o varejo deve fazer para tirar proveito da data?
O que alguns varejistas já estão fazendo é a tentativa de antecipar a data, fazendo promoções, e promovendo descontos desde o início da pandemia e a necessidade de fechar as lojas. Isso está acontecendo porque a venda online não é suficiente para segurar o faturamento do varejo, e os varejistas precisam encontrar alternativas para continuar vendendo.

– Como a pandemia e o comportamento do consumidor devem influir na Black Friday de 2020?
Uma discussão comum quando se fala de Black Friday é fazer um comparativo com as vendas de final de ano. Nos últimos anos a Black Friday tem tirado um pouco a força das compras de natal porque o consumidor aproveita as promoções para comprar os produtos para o fim de ano. Em alguns varejistas, a black friday tem muito mais relevância do que as compras de fim de ano. Embora o perfil de compra seja diferente nessas duas datas, na Black Friday as pessoas costumam comprar produtos para elas mesmas, costumam pesquisar antes e aproveitar a época de descontos para comprar. Enquanto isso no natal costumam comprar presentes para outras pessoas, mas acredito que as expectativas para as compras de fim de ano também não são muito otimistas em 2020, o movimento de compra deve acompanhar o que vem acontecendo nos últimos anos, as pessoas devem continuar aproveitando os descontos de Black Friday para comprar os presentes de Natal.

– Quais categorias de produtos devem vender mais neste ano?
A categoria que lidera tradicionalmente as vendas nessa época é a de produtos eletrônicos, que normalmente representa mais da metade das vendas. Celulares e computadores ocupam respectivamente segundo e terceiro lugar, creio que este ano as vendas devem acompanhar essa expectativa. Outras categorias que devem crescer na data são a de moda e beleza. Venho acompanhando o mercado, e vejo que são categorias que tiveram as vendas represadas durante a pandemia, por isso eu apostaria em um crescimento nas vendas destes segmentos de produtos para a data.

 

Fonte: Varejo S.A.