Como sempre há esperança de luz no fim do túnel, 2017 traz para o varejo a possibilidade de recuperação das vendas, negativamente impactadas pelo cenário econômico dos últimos anos.

Com menos disposição para gastar, o consumidor está mais exigente e seletivo. Pesquisa mais, resiste mais, quer mais qualidade. Paradoxalmente, por conta da “crise”, o varejo investe menos no treinamento dos seus funcionários que, raramente, estão preparados para atender a esse novo consumidor. Nesse contexto, o dilema “Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?” dá lugar a “investimos no time para que eles convertam mais vendas ou esperamos o aumento das vendas gerar receita suficiente para que possamos investir no time?”.

Somamos a esse dilema o fato de que vendedores do varejo são, em sua maioria inexperientes. Alguns tem no varejo a oportunidade do primeiro emprego, outros não possuem experiência anterior em vendas, e ainda tem aqueles que foram demitidos por baixa performance. Por sorte, você vai encontrar alguns bons e dispostos a fazer a diferença disponíveis no mercado.

Com foco no recrutamento e seleção, a loja tem gente na quantidade certa para receber a demanda. Mas estão preparados para converter a demanda?

Nas duas primeiras semanas alguns funcionários exibem o crachá “em treinamento” com orgulho sem saber que, muitas vezes, apavoram os clientes que se sentem cobaias desse ser que precisa ser tolerado, pois está começando. Demora pra achar o produto, erro na hora de passar o cartão, confusão com a forma de pagamento, mas a empolgação que mantém no rosto o sorriso amarelo de quem espera acertar, bater a meta e garantir o emprego.

E com isso as oportunidades de vendas vão se esvaindo e, após um resultado insatisfatório ou uma nova oportunidade que paga 1,50 a mais no ticket refeição e parece renovar a esperança, o colaborador vai embora e o varejista volta a reclamar da crise.

Aqui fica a dica: muito mais do que ter gente suficiente para receber a demanda é ter gente eficiente para atender à demanda. Menos e melhor é igual a mais.

Focar no aumento da produtividade é fundamental para alavancar as vendas e, para isso, investir na capacitação do time é imprescindível. Um treinamento intensivo e rápido pode ser dividido em 3 etapas:

1. Lá fora: é preciso que o time tenha clareza do que acontece do lado de fora da sua loja, ou seja, o mercado no qual está inserindo, seus concorrentes e as características, necessidades e desejos dos seus (potenciais) clientes.

2. Aqui dentro: o território precisa ser dominado e para isso o time precisa de um “banho de loja” em relação aos produtos/serviços que comercializa, seus diferencias, vantagens e benefícios. Aqui entram os temas relacionados aos processos internos como desconto, forma de pagamento, estoque e etc. Precisa também se conhecer para reconhecer as competências que já possui e quais vai precisar adquirir para performar bem no seu contexto.

3. É agora: como vai se dar a relação entre o lá fora e o aqui dentro. Ou seja, qual a melhor maneira de estar preparado para abordar o cliente, investigar suas necessidades, apresentar seu produto/serviço evidenciando a solução para o problema do cliente, solucionar as possíveis objeções, fechar a venda de forma impactante e fidelizar o cliente.

Essa estrutura garante o mínimo do conhecimento necessário para que o vendedor esteja apto a ocupar um lugar no salão de vendas. Mas também há outras dicas importante para maximizar o investimento no treinamento:

– Seja empático com seu time e aja com coerência. Se esperamos empatia do vendedor, precisamos agir dessa forma com eles. Para isso, conecte-se primeiro com a pessoa depois com o funcionário. Entenda as motivações, reconheça seu mapa de mundo e encaixe as novidades considerando sua experiência (profissional e pessoal);

– Considere as barreiras: para uma venda ocorrer, a performance do vendedor é cada vez mais relevante, mas não é tudo. É importante que os desafios sejam postos na mesa e que o vendedor enxergue alternativas para trabalhar com eles, por exemplo: “não tem o número ou a cor que o cliente quer”, “o sistema caiu”, “não trabalhamos com descontos”. Municie a equipe com argumentos para contornar as objeções da própria empresa.

– Mostre o certo e o errado: um dos erros que cometemos em treinamentos comportamentais é mostrar somente o como deve ser feito. É importante que o time consiga enxergar também o impacto de se fazer errado.

– Mescle conteúdo e prática: alterne a parte teórica com a prática. Lembre-se da frase de Confúncio: “Aquilo que eu ouço eu esqueço, aquilo que eu vejo eu lembro, aquilo que eu faço eu aprendo”.

– Atente-se à linguagem e ao humor: os exemplos precisam ser tangíveis e conectados à realidade do time. Cuidado com os exemplos exagerados da Disney, da Apple, do Starbucks. As pessoas tendem a se identificar com os sonhos, mas se mobilizam mais com a realidade. Conte histórias, faça o time rir. Aprender tem que ser divertido.

Além disso, diariamente é preciso que o novo colaborador seja minimamente acompanhado e receba feedback da gestão para aprimorar sua habilidade de converter interessados em clientes e ampliar seu ticket médio. Não adianta “jogá-lo aos lobos” e torcer para que ele sobreviva. É preciso instrumentalizar, orientar, acompanhar, corrigir o que está errado e reforçar o que está certo para diminuir a curva de aprendizagem e alavancar a produtividade.

Afinal, treinar equipes de vendas é desafiador, mas muito compensador. Sabe aquela história do plantio x colheita? Então, essa é a hora certa de plantar, regar e criar raízes. Só assim bons frutos virão.  

Fonte: Comunidade ADM