A partir deste sábado (28), a tarifa de transporte público voltará para o valor mais alto no Distrito Federal. Após a decisão do TJDFT favorável ao reajuste, a Secretaria de Modalidade terá até 72 horas para readequar os preços. As linhas circulares passarão de R$ 2,25 para R$ 2,50; os ônibus de ligação curta sobem de R$ 3 para R$ 3,50; e os de longa distância e o metrô, de R$ 4 para R$ 5. Na quarta-feira (25), uma ação popular contrária à decisão dos desembargadores foi ajuizada, mas, caso a medida não seja revertida, diversos setores serão impactados.

 

O presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas do Distrito Federal alerta para os efeitos negativos que esse aumento deverá trazer ao comércio. “Haverá um impacto direto na renda do cidadão”, afirma José Carlos Magalhães Pinto. “Com o preço alto das passagens, que normalmente são pagas pelos patrões, sobe o custo para a empresa, fazendo com que fique muito difícil conceder um salário maior e que, até mesmo, gere demissões.”  

A mudança também deve trazer dificuldades na hora da contratação e na geração de empregos, segundo o presidente. “A tendência é que os empresários sejam mais criteriosos ao escolher os funcionários, dando preferência aos que moram nas proximidades. Quanto mais longe ou mais ônibus a pessoa pega para chegar ao trabalho, maior é o gasto. Em alguns casos, poderá inibir a contratação do funcionário, mesmo ele sendo capacitado para a função”, lamenta.  

José Carlos lembra que, para driblar a falta de verba pública no transporte, o governo poderia tomar outras medidas, que não prejudicassem os trabalhadores. “A fiscalização continua ineficiente e o dever de casa, com relação à fraude nos cartões, deveria ter sido feito exaustivamente antes da mudança. Além disso, a Câmara Legislativa poderia rever as gratuidades, mas sem mexer no passe-livre, que é uma conquista importante”, defende.