Na última segunda-feira (16), começou o racionamento de água em diversas regiões administrativas do Distrito Federal. A medida foi adotada pelo governo para remediar o esvaziamento do Reservatório do Rio Descoberto – que, no início da semana, tinha apenas 19,12% da capacidade. Além de influenciar na rotina dos moradores desses locais, o corte no fornecimento de água tem causado grande impacto para os comerciantes.


Como o religamento é paulatino, e demora aproximadamente dois dias para que o sistema seja normalizado, os lojistas foram obrigados a buscar alternativas para contornar a situação. Alguns cortaram temporariamente serviços do estabelecimento, outros adotaram o uso de materiais descartáveis (evitando o gasto de água com lavagem) e outros estudam contratar caminhões-pipa para o abastecimento extra, o que geraria um gasto que poderia ser repassado ao consumidor.


Há, ainda, quem aposte na estocagem de água, o que, na prática, pode aumentar o desperdício e ainda contribuir para a proliferação do mosquito da dengue, segundo a Caesb. Para o diretor de assuntos internacionais da CDL/DF, Vicente Estevanato, que também representa a rede Habib’s no DF, nada disso é uma solução real. “A crise hídrica já tinha sido anunciada havia anos, e o poder público falhou no planejamento de ações para evitar o cenário atual”, afirma.


Segundo Estevanato, não se trata de uma questão política, mas técnica: conforme cresce a população e a demanda por produtos e serviços, o sistema hídrico da cidade deve acompanhar. “É lamentável reduzir o nível das ofertas por falta de água. Para crescer e movimentar a economia, o setor produtivo espera e precisa de infraestrutura do Estado”, argumenta.


Se o racionamento persistir, o diretor da CDL teme que empresas de alguns ramos (que dependem muito do abastecimento) sejam obrigadas até a fechar as portas nos dias de corte. “No longo prazo, se nada for feito, a crise pode atingir, ainda, o fornecimento de energia elétrica”, alerta.


As áreas afetadas pela mudança são: Águas Claras, Candangolândia, Ceilândia, Gama, Guará, Núcleo Bandeirante, Park Way, Recanto das Emas, Riacho Fundo I, Riacho Fundo II, Santa Maria, Samambaia, Taguatinga e Vicente Pires. Cerca de 1,8 milhão de pessoas são atingidas pela medida.