Shoppings registram aumento no volume de vendas no primeiro semestre do ano em relação ao período de 2014. Em Brasília, cresceram mais que o dobro da média nacionalEnquanto o Brasil registra recessão técnica na economia, os administradores de shopping centers respiraram aliviados. O setor cresceu expressivos 4,5% em volume de vendas no Brasil no primeiro semestre de 2015 em relação ao mesmo período do ano passado. No Distrito Federal, o aumento nominal foi mais significativo: 9,5%. O fluxo de pessoas e de veículos nos estabelecimentos comerciais da cidade também cresceu em 10,4% e 7,35%, respectivamente. Características da economia local, como renda per capita, boa gestão empresarial e ampla oferta de atividades nos shoppings, são apontadas pelos especialistas como motivos para a ascensão do setor.

Álvaro Silveira Junior, presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas do Distrito Federal (CDL-DF), também credita o bom desempenho dos shoppings no DF ao mix de atividades que o centro comercial traz. "O shopping não fica tão dependente das vendas das lojas, eles têm outras atividades, como escritórios e serviços", avalia. Para Silveira Junior, o fato de boa parte dos shoppings da cidade serem de empreendedores locais também ajuda o setor a apresentar índices positivos mesmo na crise econômica. "Isso auxilia na negociação direta com o proprietário, que fica mais ciente do que está acontecendo na economia local", complementa.   Os diferenciais de atendimento que os shopping centers oferecem, como segurança, conforto e estacionamento, também explicam a preferência do consumidor. Edmar Barros, superintendente de um grupo de cinco shoppings no DF, acredita que o segmento se tornou "o último guardião do varejo", em tempos de crise. "Contabilizamos aumento de vendas em todos os nossos shoppings. Não foi o crescimento esperado, mas é um cenário confortável", calcula.  

 

Os índices positivos estão na contramão do registrado pelo varejo, que, desde o ano passado, apresenta retração, mesmo em datas comemorativas. "O comércio de rua não está vendendo nada. O shopping acaba se sobressaindo porque as pessoas não vão apenas para comprar, mas também para passear e fazer outros serviços. Nisso, acabam comprando. Quando elas vão para uma loja de rua, o único objetivo é comprar", analisa Marcelo Minutti, professor de empreendedorismo e inovação do Ibmec.

 

Na opinião de representantes do setor e de especialistas, o mercado de Brasília apresenta peculiaridades que permitem a ascensão das vendas mesmo em tempos de crise. A alta renda per capita e o peso do funcionalismo público na economia local acabam amortizando a cidade da crise pela qual passa o país. "As classes A e B têm sofrido menos o impacto da situação do que a C e D. Por isso, Brasília ainda sente pouco a crise. Soma-se a isso a alta do dólar: muita gente deixou de comprar no exterior e passou a consumir no Brasil", explica Glauco Humai, presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). Ele destaca a boa gestão dos shoppings como receita de crescimento em tempos de queda no varejo. "Não somos uma ilha na crise. O segmento se destaca porque inova sempre e aposta em gestão", complementa.

 

Encolhimento da economia

 

Ocorre quando um país registra retração por dois trimestres consecutivos. O termo é comum na Europa. É diferente de recessão de fato, quando o país está com alta de desemprego e nos índices de falência, queda da produção e do consumo.

 

Fonte: Correio Braziliense
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