Ferramentas e sensores de IoT ajudam a entender o consumidor e aumentar as vendas

As transformações e o crescimento no varejo – em 2018, as vendas aumentaram 2,3% – estão cada vez mais associados às novas tecnologias. Para se manterem competitivos, os varejistas já perceberam que a inovação é uma grande aliada na hora de atrair novos clientes ou fidelizá-los. De acordo com a quinta edição do ranking anual elaborado pela DOM Strategy Partners, das 50 empresas mais inovadoras do Brasil, o varejo representa 43%.

Falar em inovação no varejo é também falar na sigla que vem impulsionando o setor: IoT, que significa Internet of Things ou apenas internet das coisas. Nesse cenário, é a IoT a responsável pela integração e a automação de toda a cadeia de trabalho do comércio, possibilitando desde uma melhor administração dos negócios até questões diretamente ligadas ao atendimento do consumidor. Não é à toa que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou, no último ano, o destino de pelo menos R$ 40 milhões em projetos-piloto de IoT.

Para ajudar os varejistas, sejam eles pequenos, médios ou grandes, nesse desafio de entender melhor o público, otimizar a experiência dos consumidores e reduzir custos e erros operacionais, as start-ups voltadas para o setor estão aumentando a receita de muitos negócios por meio das tecnologias disruptivas. É o caso da FX Retail Analytics, que desde 2015 desenvolve soluções para monitorar e analisar o comportamento do consumidor em todos os ambientes do varejo.

A CEO da empresa, Flávia Lima, explica que a tecnologia oferecida para as lojas físicas é feita pela IoT. “Hoje, por meio de dispositivos de IoT, que são sensores, conseguimos capturar através da visão computacional ou de Wi-Fi todo o comportamento do consumidor. Se uma loja coloca esse sensor na sua entrada, conseguimos gerar um relatório sobre quantas pessoas passaram e entraram no local, além do tempo de permanência, perfil e até mesmo como elas se comportam nas lojas on-line e off-line”, explica a executiva.

Nesse sentido, Flávia conta que a palavra de ordem atual é a omnicanalidade, que nada mais é do que a integração de todos os canais da empresa para melhorar a experiência do consumidor. “O varejo pode estar numa loja física, no e-commerce ou no marketplace e, apesar de a loja física ter vendas mais representativas, cerca de 10% do faturamento vem do on-line. Porém, quando se fala em influência, essa parcela no varejo on-line é maior, ou seja, o importante, para nós da FX, é juntar essas duas pontas, até porque, atualmente, os mercados não se sobrepõem, eles interagem”, explica.

Com mais de 1.500 sensores espalhados por lojas em todo o Brasil, o modelo oferecido pela start-up é baseado em assinaturas mensais, que podem custar a partir de R$ 99, sempre variando de acordo com o número de dispositivos e o volume de dados processados por mês. “Os varejistas perceberam que investir em IoT é ter em mãos uma estratégia de marketing assertiva, com um volume de informações similar ao que se pode conseguir com o e-commerce”, diz a CEO.

Em 1991, quando se popularizou a conexão TCP/IP e a internet que conhecemos hoje, surgiu a ideia e discussões sobre a IoT. Em 1999, surgiu o termo, proposto por Kevin Ashton, do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Dez anos depois, ele escreveu o artigo A coisa da internet das coisas, para o RFID Journal.

Mudança cultural

Para Rodolfo Alves, sócio da CoreBiz, agência especializada em marketing digital e e-commerce, a grande dificuldade que os varejistas ainda encontram na hora de investir em inovação não é em relação ao recurso financeiro, mas, sim, à cultura organizacional. “Muitas empresas foram criadas em momentos em que não se falava em omnicanalidade. Não é por acaso que algumas ainda apresentam resistência em circular em ambos os ambientes”, conta. No entanto, faz um alerta: “Os consumidores estão em busca de experiências diferenciadas e os varejistas precisam se preparar para oferecê-las ou, então, perderão espaço no mercado”.

Fonte: Varejo S.A.