Em uma sociedade cada vez mais inclusiva, as oportunidades de ampliação do mercado de varejo aumentam. Produtos e serviços nichados são uma aposta tanto de grandes grupos, como a Renner por exemplo, quanto de empresas de menor porte.

 

A loja de roupas e acessórios Ashua, braço da Renner voltado ao público plus size, é um exemplo de aposta em um nicho específico. Com as operações inauguradas no e-commerce, a marca lançou a primeira loja física em setembro deste ano.

 

O investimento da companhia nos novos estabelecimentos foi de R$ 1 milhão – dois na cidade de São Paulo e um em Porto Alegre (RS). Segundo o gerente geral de e-commerce do grupo, Ronaldo Magalhães, serão inauguradas novas lojas somente no ano de 2019.

Além disso, o executivo comenta que os novos pontos de venda serão multicanais, ou seja, o consumidor poderá finalizar as compras tanto online quanto presencialmente e escolher se prefere buscá-las nas lojas ou recebê-las em casa. “Pela marca ter nascido no e-commerce, já tem um pé no digital: não é necessário ir ao caixa para pagar. As vendedoras têm um aparelho que permite que as vendas sejam finalizadas a qualquer momento”, acrescenta Magalhães.

 

Para o sócio-diretor do GS&Consult – consultoria do Grupo Gouvêa de Souza –, Jean Paul Rebetez, há uma oportunidade de o varejo ampliar a oferta pegando carona em elementos que até então não tinham muito espaço. “Esse movimento da Renner, que é uma empresa grande, mostra que os grandes players já sentiram que também têm que entrar nesta oferta e que existe espaço para eles”, analisa.

Assim como a Renner, empresas menores viram oportunidades em atingir públicos específicos. O Grupo SRB Modas conta com uma loja de roupas e acessórios para mulheres evangélicas – batizada de Saia Bella – e a varejista Eurico comemorou, há uma semana, 80 anos de funcionamento vendendo sapatos de tamanhos maiores que os encontrados em lojas comuns.

O diretor do Grupo SRB Modas, Renan Santos, comenta que o índice de retorno à loja é bem expressivo devido à clientela fiel. A empresa existe há quase quatro anos e somente em 2018 não projeta crescimento. “Este ano está sendo um ano de aprendizagem e reestruturação, pois desde o final de 2017, devido a fatores internos e externos, precisamos reformular o projeto se adequando à dificuldade de nossa economia e ao novo perfil de consumidor”, explica.

Para Rebetez, atingir uma clientela fiel é resultado de campanhas bem estruturadas com identificação do público correto a ser alcançado. “O mais importante é entender quem são as pessoas que estamos vendendo e saber direcionar a comunicação e a operação para estas pessoas, o que vale tanto para varejistas de nicho quanto para quem trabalha com um público mais geral”, destaca o consultor.

Foi desta forma que a Eurico manteve as operações durante 80 anos. No início, a empresa vendia sapatos com tamanhos comuns, no entanto, os donos perceberam que havia muita procura dos clientes da região por tamanhos maiores, passando a focar neste perfil. “A maioria é uma clientela fiel que costuma vir sempre. Não somos uma loja de passar e entrar, somos um destino”, aponta a co-fundadora, Claudia Rosenthal, acrescentando que hoje contam com mais uma unidade física e com o e-commerce, que ocupa 30% do faturamento total.

Custos

Das três empresas entrevistadas, apenas a Eurico necessita vender a preços acima do mercado em geral (10%). Isso porque a fabricação dos sapatos foge da linha de produção das fábricas parceiras. Já a Ashua afirmou manter a tabela de preços semelhante às lojas Renner. A Saia Bella passou por uma reestruturação de valores recentemente, conforme Santos, com peças a partir de R$ 59,90 cada.

Segundo Rebetez, o maior benefício para um varejista de nicho é a exclusividade. “O mercado é bem simples em relação a isso: Quanto menor a oferta, maior será a margem de lucro. A falta de concorrência é o maior benefício”, finaliza, acrescentando que manter a qualidade é essencial.

Fonte: DCI