Os dados econômicos sobre inflação e atividade têm mostrado alguma normalização após o forte impacto da paralização de caminhoneiros no final de maio. Os números voltam a reforçar a tendência de crescimento econômico fraco com inflação controlada, que deve se manter ao longo de todo o segundo semestre.

Do lado da atividade, destaque para o resultado de -0,3% nas vendas do varejo, na comparação entre junho e maio, e 1,5% acima das vendas verificadas em junho de 2017, a 15ª variação positiva na comparação anual. Mantido esse ritmo até o final do semestre, teremos mais um ano de crescimento do varejo, porém num ritmo muito aquém do necessário para reverter as fortes quedas verificadas ao longo da recessão. O resultado das consultas para vendas a prazo apuradas pelo SPC Brasil reforça o quadro de crescimento tímido das vendas. Houve estabilidade (-0,1%) na comparação com o ano passado, quando a alta havia sido de quase 9%.

Já do lado dos preços, a melhor das notícias foi que a inflação retrocedeu em julho, evidenciando que a alta de junho refletia basicamente o evento atípico das paralisações. O resultado foi de 0,33%, na comparação com o mês anterior – em junho, na comparação com maio, fora de 1,26%. No acumulado de 12 meses, seguimos próximos da meta, com alta de 4,48%. Nessa mesma base de comparação, espera-se que a alta de preços desacelere ainda mais, terminando o ano próximo aos 4,0%. Na esteira da inflação baixa, a taxa Selic foi mantida em 6,5% na última reunião do Copom, com expectativa de manutenção neste patamar até o final deste ano.

A taxa de desemprego segue elevada, em 12,4% da população ativa no trimestre terminado em junho, apenas levemente baixo dos 13,0% verificados no mesmo período do ano passado. A criação de vagas ainda é insuficiente para absorver os 13 milhões de desempregados e impulsionar o consumo. E ainda que a produção industrial tenha mostrado forte crescimento de 13,1% em junho na comparação com maio, mais que compensando o recuo de 11,0% do mês anterior, a confiança ainda baixa faz com que o empresário adie as decisões de investimento e contratação que poderiam puxar a atividade econômica.

Em síntese, os dados mais recentes vão confirmando uma recuperação mais lenta do que a prevista no início do ano, com impacto igualmente lento sobre as variáveis-chave para o consumidor, como desemprego e renda. E assim deve ser até que se tenha melhor definição sobre o cenário eleitoral, que ainda inspira incertezas e mantém os investidores em compasso de espera.

Por Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil