Dos 63,6 milhões de consumidores inadimplentes no País atualmente, cerca de 8% vive no Centro-Oeste. Pode parecer pouco, mas o dado representa 4,92 milhões de pessoas, ou seja, 41,91% da população adulta da região, e um crescimento de 2,82% na comparação com o fechamento do 1.º semestre de 2017. No Distrito Federal, a alta é ainda mais expressiva: de junho do ano passado a junho deste ano, o número de consumidores negativados deu um salto de 8,82%*, segundo dados levantados pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e divulgados hoje pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) do DF.

Todos os meses do 1.º semestre apresentaram alta no número de inadimplentes, na comparação com o mesmo período do ano passado, sendo a maior registrada em abril (9,12%) e a menor em janeiro (2,97%). Entretanto, na variação mês a mês, os percentuais foram mais tímidos e em dois meses houve queda, como mostra a tabela abaixo:

Mês

% inadimplentes ante mesmo mês de 2017

% inadimplentes ante mês anterior

JANEIRO

2,97%

-1,77%

FEVEREIRO

3,82%

0,41%

MARÇO

4,9%

2,44%

ABRIL

9,12%

3,79%

MAIO

7,67%

-0,5%

JUNHO

8,82%

1,04%

Em compensação, no início do ano, os brasilienses tinham cerca de 2,019 dívidas por pessoa, e agora têm 1,997 – um recuo pequeno, mas otimista.

No ano passado, o quadro era de leve queda: de junho de 2016 a junho de 2017 houve diminuição de 3,45% no número de inadimplentes no DF – recuo maior que o da média nacional (0,83%) e que o do Centro-Oeste (2,04%). Já o número de dívidas por pessoa era de aproximadamente 2,067.

Para o presidente da CDL-DF, José Carlos Magalhães Pinto, o momento ainda é delicado, já que o crescimento econômico não tem atingido as expectativas do início do ano, mas não há motivo para pânico. “No 1.º semestre de 2017, foi registrada queda no consumo das famílias brasileiras, devido à grande instabilidade econômica dos últimos anos, e por isso a inadimplência apresentava declínio. A partir do 2.º semestre, com a recessão chegando ao fim, a população voltou a consumir, o que levou ao cenário atual, de alta na inadimplência”, explica.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que teve aumento de 1,26% em junho, e o desemprego também afetam os índices de inadimplência.

Magalhães orienta que os consumidores sejam cautelosos na hora de fazer compras. “Consumir é importante, pois faz a economia girar, mas é necessário tomar cuidado para não se endividar, pois o crescimento da inadimplência tende a aumentar os juros”, lembra. “Pesquisar antes de comprar e evitar parcelamentos longos são o melhor caminho.”

Curiosidades

Em todos os meses do 1.º semestre, o setor credor com maior crescimento de dívidas em atraso no DF foi o de água e luz. Já o comércio vem apresentando quedas consecutivas no número de dívidas. A faixa etária com o maior aumento no número de inadimplentes é dos idosos de 85 a 94 anos, que chegou a 33,52% em junho.

Cada consumidor do DF tem, em média, 1,997 dívidas em atraso, menos que o Centro-Oeste (2,019) e mais que a média do País (1,93).

Inadimplência por região

O Centro-Oeste concentra o menor número de consumidores inadimplentes no País. No entanto, como a região não está entre as mais populosas, o dado não pode ser considerado animador: a porcentagem de pessoas negativadas só perde para as regiões Norte, com 48,22% da população adulta inadimplente, e Nordeste (43,53%). Já o Sul concentra a menor porcentagem, com 36,16%. Confira o comparativo entre as regiões abaixo:

Região

Estimativa (em milhões)

% inadimplentes sobre população adulta

BRASIL

63,62

41,56%

CENTRO-OESTE

4,92

41,91%

NORDESTE

17,61

43,53%

NORTE

5,79

48,22%

SUDESTE

27,11

40,94%

SUL

8,19

36,16%

Dados nacionais

Segundo a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), o volume de consumidores com contas em atraso e registrados em cadastros de devedores acelerou em junho no Brasil, ao crescer 4,07% na comparação com o mesmo período do ano passado. Trata-se da 9.ª alta consecutiva na série histórica do indicador. A última vez que a inadimplência apresentou recuou foi em novembro de 2017 (-0,89%).

* O número absoluto de pessoas inadimplentes por estado é divulgado pelo SPC Brasil ao final de cada ano e, por isso, não há esse dado relativo apenas ao 1.º semestre. O DF fechou 2017 com 906 mil consumidores negativados, o equivalente a 39,53% da população entre 18 e 94 anos.

A pesquisa foi destaque em diversos noticiários da cidade:

DF 2 (TV Globo): https://globoplay.globo.com/v/6881255/programa/ (em 8min20seg)

Bom Dia DF (TV Globo): https://globoplay.globo.com/v/6882045/programa/ 

CBN: http://cbn.globoradio.globo.com/programas/cbn-brasilia/CBN-BRASILIA.htm (em BSB > 18/7 às 13h53)

Metro Jornal: https://www.metrojornal.com.br/colunistas/2018/07/19/camara-paga-ate-pao-de-queijo-para-deputado.html 

Diário do Poder: https://diariodopoder.com.br/metade-inadimplente/ 

Direto de Brasília: http://diretodebrasilia.net.br/index.php/2018/07/18/centro-oeste-fecha-1-o-semestre-com-492-milhoes-de-inadimplentes-e-df-apresenta-alta/