Mais da metade (51,5%) dos novos negócios no País é chefiada por mulheres. A pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) revela também que a taxa de empreendedorismo feminino de empresas com até três anos e meio de existência ficou em 15,4% ante 12,6% entre os homens. Os dados, celebrados neste Dia Internacional da Mulher (8), apontam mudanças significativas na sociedade, apesar de ainda haver desafios a ser superados.

A diretora da Câmara de Dirigentes Lojistas Jovem do Distrito Federal Ana Paula Bandeira Braga lembra que ter o próprio negócio pode ser uma solução para driblar as relações desiguais que persistem no mercado de trabalho – segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), metade das mulheres brasileiras foi demitida no período de até dois anos após a licença maternidade. “Há uma crença de que o cuidado dos filhos pertence às mães, e, por isso, a profissional será menos produtiva na empresa, o que não é verdade”, explica Ana Paula.

Um levantamento de 2016 da Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos revelou que, entre os empreendedores que obtiveram acesso a financiamento pelo Prospera-DF, 60% eram mulheres, especialmente da área comercial, o que ilustra a guinada feminina pelo caminho do empreendedorismo também na capital.

Ana Paula acredita que o fato de as mulheres, em geral, apresentarem competências como inteligência emocional e equilíbrio e serem maioria entre as pessoas com ensino superior completo, segundo o IBGE, pode ser uma vantagem competitiva na hora de criar uma empresa. “Além de demonstrar que, ao contrário do estereótipo, a mulher tem sim tanta competência quanto o homem para exercer cargos de liderança, o empreendedorismo fomenta a empregabilidade e movimenta a economia, o que é extremamente positivo neste momento em que lutamos para deixar a crise no passado”, opina.