A capital do País comemora 57 anos de existência nesta sexta-feira (21), e de 1960 para cá a cidade mudou. Na maior parte desse tempo, a Câmara de Dirigentes Lojistas do Distrito Federal (CDL-DF), que completou 52 anos este mês, ajudou a construir o comércio local e lutou pelos direitos dos lojistas perante o poder público.

No início, vender a prazo era uma aventura de alto risco. Os moradores vinham de fora, com a necessidade de adquirir bens, e sem nenhuma referência. Muitas vezes, estavam na cidade apenas de passagem. “O calote era comum, e os lojistas amargavam prejuízos, o que levou muitos deles à falência”, conta o atual presidente da CDL-DF, José Carlos Magalhães Pinto.

Os lojistas passaram a se consultar entre eles, via telefone, e decidiram se unir. Foi constituída uma comissão organizadora para a formação da Câmara de Dirigentes Lojistas, e esse grupo empenhou-se na conquista de empresários para formar a entidade. O primeiro presidente foi o empresário José de Melo. A proposta inicial era fazer funcionar, como no restante do País, o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), que alavancou o comércio da capital. Hoje, a CDL-DF administra o SPC em Brasília, trabalhando pela segurança de varejistas e de consumidores que se preocupam em evitar fraudes com seu nome e CPF.

Além desse marco, a CDL-DF participou de vários outros momentos relevantes para o varejo brasiliense. Em 1968, foi responsável pela criação da Feira de Integração do Comércio e Indústria, uma iniciativa inédita na cidade. Em 1971, a entidade promoveu um concurso de vitrines e fachadas dos prédios durante o Natal, a fim de mostrar aos moradores e seus familiares – vindos de outros Estados – que a capital do Brasil também festejava a data, movimentando o comércio. A ação culminou em uma festa no Salão Vermelho do Hotel Nacional.

Para estimular promoções e o aquecimento das vendas ao longo do ano, a CDL-DF definiu um calendário para o comércio, com datas festivas e familiares que marcaram a história do País, do Dia das Mães à Independência do Brasil, com cartazes nas lojas. Ainda nos anos 1970, foi lançada pela entidade a campanha “Brasília, capital brasileira do Natal”, com o objetivo de fazer os moradores permanecerem na cidade no feriado. Outra campanha foi feita no período para que os consumidores com crédito negativo pagassem dívidas e tivessem reabilitação imediata. Paralelamente a esse movimento, a CDL-DF buscava reativar o comércio da W3, ponto mais sensível do varejo na época.

Nos anos 1980, a inflação era alta e as CDLs de todos os Estados buscavam alternativas para estimular as vendas. A CDL-DF, inspirada pela CDL de Cuiabá (MT), adotou a campanha “Poupe Comprando”, para difundir a ideia do consumo consciente. Ainda nessa década, a entidade iniciou estudos para implantação do Departamento de Assistência ao Consumidor (Deacon) e traçou uma estratégia de captação de eventos nacionais e regionais para o DF,  com o Departamento de Turismo (Detur).

No início dos anos 1990, a CDL-DF defendeu a abertura das lojas à noite e aos sábados, contra o projeto de lei que instituía a Semana Inglesa, que determinava o fechamento das portas às 18 h durante a semana e ao meio-dia nos sábados. Nos anos seguintes, criou a Fundação CDL-DF, que apoia entidades formadoras de crianças e jovens em risco social, e iniciou cursos de aperfeiçoamento profissional para lojistas e funcionários, em acordos com o  Sebrae e o Senac.

Chegando ao século 21, implantou o Liquida Tudo, a maior liquidação do Distrito Federal, e estreitou as relações com o governo e a Câmara Legislativa, levando pautas e demandas ao poder público, como a luta para abertura do comércio aos domingos.

Hoje, a CDL-DF conta com mais de 5 mil associados, responsáveis, majoritariamente, por empresas locais. A entidade continua capacitando os lojistas e aposta em inovação. “Por meio da CDL Jovem DF, impulsionamos soluções tecnológicas para modernizar o comércio, como o Portal Inova Varejo, e continuamos defendendo os interesses do varejo local ante o poder público”, comenta. “Neste ano, vamos retomar o Código de Defesa do Contribuinte, cujo texto inicial partiu desta casa, e continuaremos incansáveis na busca de aprovação de projetos de revitalização de áreas comerciais, como a W3 Sul e a avenida comercial em Taguatinga.”